Patinetes elétricos e bicicletas motorizadas provocam atrito crescente nas ciclovias paulistanas pela falta de normas específicas para esses equipamentos. O cenário se caracteriza por ultrapassagens arriscadas e velocidades incompatíveis com o espaço de circulação compartilhado. A explosão dos veículos elétricos na metrópole paulista intensificou os problemas de convivência no sistema cicloviário. Usuários de bicicletas convencionais denunciam episódios recorrentes de manobras em velocidade excessiva e uso inadequado das faixas designadas para o tráfego de bicicletas. ## Sistema cicloviário não previu novos modais As ciclovias da capital foram concebidas exclusivamente para bicicletas tradicionais, sem considerar as particularidades dos novos equipamentos. Bicicletas elétricas alcançam velocidades acima de 25 km/h, enquanto patinetes autopropelidos atingem até 20 km/h em superfícies planas. Essa diferença de performance cria situações de risco para todos os usuários do espaço cicloviário. A infraestrutura existente não oferece separação entre os diferentes tipos de veículos que transitam pelas mesmas faixas. ## Fiscalização não acompanha evolução tecnológica A Companhia de Engenharia de Tráfego ainda não desenvolveu procedimentos específicos para monitorar esses veículos elétricos nas ciclovias paulistanas. O órgão municipal aplica a legislação atual, que equipara os dispositivos elétricos às bicicletas comuns. Profissionais da área de mobilidade urbana defendem regulamentação imediata. "A multiplicação acelerada desses veículos elétricos demanda revisão das regras de trânsito para preservar a segurança de todos os usuários", analisa Maria Santos, especialista do Instituto de Transporte e Desenvolvimento Sustentável. ## Falta de limitação de velocidade gera riscos A ausência de dispositivos controladores de velocidade nos equipamentos elétricos constitui o maior problema identificado pelos ciclistas tradicionais. Ao contrário de outras nações, o país não obriga a instalação de sistemas que reduzam automaticamente a velocidade em zonas de tráfego compartilhado. Ciclistas veteranos criaram táticas de proteção para lidar com os novos modais. Parte opta por períodos de menor fluxo, enquanto outros escolhem percursos alternativos com menor presença de veículos elétricos. O comportamento defensivo dos usuários tradicionais evidencia como a convivência forçada entre diferentes velocidades compromete o uso pleno do sistema cicloviário. Mas como garantir acesso democrático sem comprometer a segurança? ## Marco legal em construção O Código de Trânsito Brasileiro enquadra bicicletas elétricas como veículos não motorizados, limitando a potência máxima em 350 watts. Já os patinetes elétricos aguardam definição normativa no Conselho Nacional de Trânsito. A administração municipal paulistana avalia medidas para organizar o fluxo nos corredores cicloviários. As opções incluem faixas exclusivas para veículos elétricos e horários específicos para cada tipo de equipamento. ## Desafio da mobilidade sustentável A proliferação dos veículos elétricos representa avanço na mobilidade urbana sustentável, mas expõe limitações do planejamento cicloviário atual. A integração harmoniosa entre diferentes modais exige adaptação tanto da infraestrutura quanto das normas de circulação. Especialistas reconhecem que a solução passa pela combinação entre regulamentação adequada, fiscalização efetiva e educação dos usuários. O sucesso de qualquer medida dependerá da capacidade municipal de implementar mudanças sem restringir o acesso aos espaços cicloviários. A questão permanece em como equilibrar direito à mobilidade com segurança no trânsito, tema que definirá o futuro da convivência entre diferentes tipos de veículos nos corredores cicloviários da maior metrópole brasileira.