A Receita Federal não estabeleceu data específica para implementar a declaração de Imposto de Renda totalmente automatizada. O supervisor do Imposto de Renda do órgão, José Carlos da Fonseca, confirmou a informação nesta quarta-feira (1º). O novo modelo, sugerido pelo ministro da Fazenda Dario Durigan, dispensaria os contribuintes de inserir qualquer informação na declaração. O procedimento se resumiria apenas à confirmação dos dados previamente carregados pela Receita Federal no formulário. ## Proposta ministerial sob avaliação Fonseca esclareceu que "a demanda chegou para nós ontem", fazendo referência à terça-feira (31 de março). "Temos ainda que avaliar o que falta e traçar um caminho. Não temos essa data de liberar o novo formato para o público", acrescentou. A mudança significaria uma ampliação do sistema vigente de declaração pré-preenchida. Atualmente, a Receita disponibiliza esse formato com informações parciais dos declarantes, porém não contempla todos os dados exigidos. ## Formato atual atende 60% dos declarantes De acordo com projeções do Fisco, a declaração pré-preenchida deve alcançar 60% dos contribuintes em 2024. O mecanismo atual insere automaticamente dados sobre rendimentos, deduções, patrimônio, além de débitos e encargos reais. O acesso à declaração pré-preenchida exige conta com certificação prata ou ouro no gov.br. Como alternativa, contribuintes que não elaboram a própria declaração podem utilizar o portal "Meu Imposto de Renda" para liberar acesso aos contadores. Para a Receita Federal, o aprimoramento representa "um caminho natural e gradual da evolução deste modelo". O órgão amplia constantemente a captação de informações diretamente das fontes pagadoras e dos cadastros patrimoniais dos declarantes. ## Sistema monitora com mais de 160 filtros Presentemente, a Receita Federal utiliza mais de 160 mecanismos de verificação na declaração de Imposto de Renda. A plataforma confronta desde informações pessoais básicas, como CPF e residência, até movimentações financeiras elaboradas. O monitoramento abrange transações PIX superiores a R$ 2 mil mensais, gastos em débito e cartão de crédito no mesmo valor, além de aluguéis e custos médicos. O Fisco também rastreia aplicações em renda fixa, ações e criptomoedas. O controle inclui ainda dados sobre veículos, propriedades, previdência privada e gastos educacionais. Doações para organizações filantrópicas e despesas com funcionários domésticos também fazem parte da fiscalização. Como mensurar se essa expansão progressiva do formato pré-preenchido realmente facilitará o procedimento para os declarantes? A concretização total dependerá da habilidade técnica da Receita Federal para unificar todas essas bases de dados de maneira coerente. ## Implementação depende de capacidade técnica A proposta do ministro Durigan terá sua eficiência avaliada pela diminuição real do tempo despendido pelos contribuintes na preparação da declaração. Outro indicador será a redução dos equívocos que resultam em retenção na malha fina fiscal. A transição para um sistema totalmente automatizado representa um desafio técnico considerável para a Receita Federal. A integração completa de todas as fontes de informação exigirá investimentos em infraestrutura e desenvolvimento de sistemas mais sofisticados.