Duas novas unidades de educação infantil começaram a funcionar nesta quarta-feira (1º) no Distrito Federal. Os Centros de Educação da Primeira Infância foram inaugurados no Recanto das Emas e Riacho Fundo I, ampliando em 376 o número de vagas em período integral para crianças de 0 a 5 anos. ## Investimentos em educação infantil no DF Os números da Secretaria de Educação registram a entrega de 26 unidades de educação infantil entre 2019 e 2024. O montante aplicado pelo governo distrital neste período chegou a R$ 116,4 milhões, conforme dados oficiais divulgados. A unidade do Recanto das Emas, denominada Cepi Seriema, ocupa área de 1.311,97 m² na Quadra 109. A construção demandou R$ 4,5 milhões dos cofres públicos e dispõe de 10 salas de aula. O Cepi Uruçu, instalado na QN 9 do Riacho Fundo I, possui estrutura de 1.603,20 m² e consumiu R$ 7,2 milhões em investimentos. Durante a cerimônia de inauguração, a governadora Celina Leão declarou que foi eliminada a fila de espera por vagas em creches no território distrital. Segundo ela, 26 mil crianças aguardavam atendimento quando o atual governo assumiu. ## Cenário nacional da educação infantil Estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelam que 35,6% das crianças brasileiras de 0 a 3 anos frequentam creches. A meta estabelecida pelo Plano Nacional de Educação prevê cobertura de 50% para essa faixa etária no DF até 2024. Pesquisadores questionam se os dados apresentados pelo governo local representam eliminação real da demanda ou apenas redução das listas de espera. A diferença entre esses conceitos é significativa para a análise das políticas públicas de educação infantil. O programa de ampliação iniciado em 2019 já contabiliza 24 Centros de Educação da Primeira Infância e duas creches rurais em operação. A estratégia governamental inclui expansão do ensino integral para outras etapas da educação básica. ## Desafios da universalização do acesso Especialistas em políticas educacionais destacam obstáculos estruturais na universalização da educação infantil. Maria Santos, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Educacional de Brasília, avalia que a construção de novas unidades representa avanço importante. "A sustentabilidade do atendimento requer quadro de pessoal adequado e manutenção da qualidade pedagógica", observa a especialista. Como será garantida a continuidade desses serviços com a qualidade necessária? As inaugurações marcaram a despedida da secretária Hélvia Paranaguá, que deixa o cargo para concorrer nas eleições de outubro. Durante sua gestão, foram entregues 20 das 26 unidades de educação infantil construídas no período. ## Funcionamento e atendimento das novas unidades O modelo adotado pelos novos centros contempla atendimento em período integral, direcionado especialmente a mães trabalhadoras e famílias de baixa renda. Cada unidade fornece alimentação, atividades pedagógicas e cuidados básicos durante 10 horas diárias. Indicadores de desenvolvimento das crianças atendidas serão monitorados pela Secretaria de Educação através de avaliações periódicas. Os relatórios de desempenho das unidades integrarão o sistema de acompanhamento da pasta. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação reconhece os progressos na ampliação de vagas. O órgão ressalta, porém, a necessidade de investimento contínuo em formação de professores e aprimoramento da infraestrutura pedagógica. ## Comparativo com gestões anteriores Dados da própria Secretaria de Educação mostram aceleração no ritmo de inaugurações nos últimos cinco anos. Entre 2015 e 2018, apenas 8 unidades de educação infantil foram entregues no Distrito Federal. O orçamento da Secretaria de Educação para 2024 totaliza R$ 8,2 bilhões, sendo 12% destinados à educação infantil. A sustentabilidade dos programas de expansão depende de repasses federais e arrecadação local. Em comparação com outras regiões metropolitanas, Brasília apresenta índices de cobertura superiores à média nacional. Os números, contudo, permanecem abaixo de capitais como São Paulo e Belo Horizonte, segundo o Ministério da Educação. O déficit nacional de vagas em creches públicas alcança aproximadamente 2,5 milhões, conforme levantamentos oficiais. Este contexto evidencia a dimensão do desafio enfrentado pelos gestores públicos na área da educação infantil. A avaliação da efetividade das políticas de expansão da educação infantil ocorrerá nos próximos anos através de indicadores específicos. O monitoramento sistemático de dados de acesso, permanência e qualidade permitirá verificar se a estratégia do governo distrital conseguiu eliminar definitivamente a demanda reprimida por vagas em creches no território do Distrito Federal.